.: Salto alto para crianças:
entenda por que não é uma boa escolha.

Especialistas esclarecem as principais dúvidas sobre o uso de salto alto pelas meninas e contam como deve ser o sapato ideal para evitar quedas e tropeços no caminho.
Por Maria Luiza Lara

1. Quais são os efeitos do uso do salto alto no corpo de uma criança?
O primeiro efeito ocorre no próprio pé. Ao levantarmos a parte de trás, chamada de retropé, mandamos o peso do corpo para a frente, o antepé. Essa sobrecarga, com o tempo, causa um processo degenerativo, que implica no alargamento da base e no encurtamento dos ligamentos. Em segundo plano, e não menos importante, estão os efeitos negativos do salto sobre a coluna. Ao usar um calçado com salto, a pessoa tende a projetar o centro de gravidade para a frente. A responsabilidade de manter o corpo estável fica toda sobre a coluna e a região lombar acaba aumentando sua curva. E, mais uma vez, depois de um tempo esse hábito pode começar a gerar desconfortos, dores e mudança na postura. "Se esse tanto de complicações acontece com adultos que já têm a estrutura óssea pronta e menos sujeita a alterações, imagine o que ocorre com as crianças, que ainda estão com o corpo em formação", comenta Carlos Lopes, ortopedista pediátrico e médico cirurgião ortopedista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Assim, esse hábito precoce colabora para que as estruturas ósseas da criança já comecem a se moldar com defeito.

2. E os saltos mais baixos, são tão nocivos assim?
"Quanto mais baixo o salto, menos intensa será a agressão ao pé e a coluna", esclarece o ortopedista Carlos Lopes.

3. A partir de que idade podemos liberar esse capricho para as meninas?
"Uma garota pode começar a usar salto - não muito alto - após a primeira menstruação", explica Roberto Guarnieiro, chefe da pediatria do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da USP. Segundo ele, nessa fase, ela também já tem mais equilíbrio e condição para usar o acessório.

4. E os sapatos plataforma?
Quanto às plataformas, algumas não mudam a relação entre retropé e antepé por terem uma base uniforme de mesma altura. "Mas a altura facilita torções e até mesmo quedas, além de não serem muito práticas para as crianças", completa Roberto Guarnieiro.

5. Se pudéssemos definir o sapato ideal para uma criança, como seria?
Sem saltos. "Normalmente, recomendamos aos pais que procurem escolher um calçado o mais macio e leve possível, de preferência com a sola reta", indica o ortopedista infantil Roberto Guarnieiro. "No caso de sandálias abertas, elas precisam ter alguma alça ou dispositivo que fixe muito bem o calçado no pé da criança", diz.

Reportagem retirada do site: Abril.com - Bebe.com.br